22.8.16

I dare you

Esse foi a primeira coisa que vi essa manhã. E eu não consegui segurar as lágrimas. Estou até agora assistindo videos sobre o Brasil, sobre as Olimpíadas, piadas, reações, músicas, tudo sobre o Brasil e sobre esse povo que eu amo profundamente. Todo mundo sabe que eu sou orgulhosamente brasileira. Não me perguntem nada sobre o Brasil se você não está disposto a me ouvir falar por duas horas sobre isso. E esse vídeo representa o que eu amo sobre o meu país. Porque lá a vida é uma eterna partida. Quando crianca eu aprendi a superar os momentos dificeis com um sorriso ou uma piada. Eu aprendi que amanhã vai ser sempre melhor do que hoje se eu investir meu coração para fazer isso acontecer. Eu aprendi a viver o melhor que posso todos os dias. Ver essa torcida, todo esse amor, alegria e esperança das Olimpiadas aumentou minha esperança e fé por um futuro mias brilhante. Fico tão feliz de ver as meninas brilhando. Foram pequenas aberturas e pequenas conquistas, mas são pequenos passou. E olhe o quão longe já chegamos após tantas lutas. Não desanimem, olhe o quão longe ainda podemos ir. Estou tão orgulhosas de todos os atletas que superaram dificuldades não somente seus próprios limites físicos mais a falta de suporte e finanças. E meu lado otimista deseja e acredita por um nova temporada de crescimento e desenvolvimento em todos os esportes. É um dos meus desejos profundos que as barreiras sociais sejam esmagadas com generosidade e a nossa arte de criar comunidade. Porque somos imbatíveis nisso, mais do que no futebol ou em samba. Se começarmos a focar naquilo que somos bons ao invés das nossas falhas cronicas e herança colonial. Do sistema judiciário ao politico, das favelas aos condomínios fechado, das creches publicas as universidades, se descobrirmos que somos melhores em amor e comunidade que em ordem e progresso, podemos superar e construir qualquer coisa. Somos extremamente talentosos em fazer as coisas acontecerem mesma que pareçam impossíveis. E é por isso que eu ainda acredito.

18.4.16

Opposite world

Sometimes our dreams seem like fog in front of our eyes. Like a mysterious, uncalculated, untrustworth, supernatural sign. There's no apperance and the skies are silent. Idealistic, I would say I am dreamer and I love to take risk to get the best out of everything. But in reality I see these kind of persons everywhere, but I am not one of them. I am one of those who struggle in a daily base to believe in the same stuff. To believe that tomorrow will be better and brighter. I have a calculated habit of cultivating hope but I often caught myself doubting. But maybe, just for a chance hope is the very actually sign. Maybe expecting is the new thing. Maybe doubting and still choosing is the real deal, maybe this is the real faith. Maybe in an opposite world I would be someone who got it right.

But God chose the foolish things of the world to shame the wise; God chose the weak things of the world to shame the strong. 1 Co 1:27

Learning day by day, again and again.

I am in a really bad week. Above all things I am extremely confused. Not because I don't know what I want for my life, for my country or my next semester. For the first time in 23 years I am exactly in the place that I choose to be. And things doesn't feel quite well. Now it's the perfect time to hear "Just hanging on sister". But this is not helpful. The circunstances seems so unfair. 

We fight day after day for what we believe, for justice or for our convictions. We fight back our doubts, fears and descouragement. But sometimes it seems meaningless, empty, confusing. So we get desmotivated. That's nothing worse and nothing you can do to avoid desmotivation. But how to fight it back? How to climb out of our limb-melancholic existence. Does it need a sign? Do we get a sign? Is it fair to ask for a sign after all the things that we already have seen? 

But if we stop now? Would it change anything? If we stop know it's just a matter of time to all the same beginning-middle-desmotivated thing come over another time. So should I keep quiting over and over? How about breaking the cicle? How about self motivating? How about be strong and corageous (Js 1:5-6)? Leaving requires strength but staying also does. Pioneering requires courage but maintaining also does. 
Consistence and iniciative are not between my best qualities, and always excuse my self-sabotage in the name of the lack of those qualities. But if we could break the cicle. What if someone just had taken responsability over us and winning everything ahead? What if we were wandered off, done our own thing, gone our own way and them someone just took our lacks and piled it on him? (Is 53: 2-6) What if our motivation were not in where we are at or where we're  heading for but in the One who makes everything worth it. 

I am gonna tell you something. My life suck sometimes. I am a mountain of mess, indecision, inconsistence, faithless, fearfull, worries, no money, no time,no positions, no relationships, no better view in any time soon. My country is in a crise, my brazilian & my australian account is in a crise, I am tired of not being enough to get things right, to not working right, not serving right, not being a good sister, not being a good friend, not being a good student, not being a good daughter, not being able to help my country, not being able to give some light to some of my friends who are drawining in senseless political statements. And there is no perspective of things getting better anytime soon. 

But I decided to live day by day. Not trowing the tower as I did before. You only live once or carpe diem is really temptive but it also gets in the giving up category. Don't get me wrong, I could trow it, there's nothing wrong with it, there's nothing wrong with struggling. But I decide to break the cicle day by day. And for today this is enough. I will do my best today, with all the things that has been entrusted me even my broken and insuficient self. "Therefore we do not lose heart. Though outwardly we are wasting away, yet inwardly we are being renewed day by day." II Co 4:16

16.7.15

Say the Word

Eu poderia ser melhor. Eu poderia ser mil vezes melhor em tudo o que eu faço. Eu poderia ter chorado menos e aguentado mais. Eu poderia ter aceitado meu peso. Eu poderia ter aceitado o fato de não ser incrivelmente linda. Eu poderia ter aceitado não ser amigo de determinadas pessoas. Eu poderia ter me esforçado mais e de alguma forma ter conseguido aquele emprego, ou crescido naquele emprego. Eu poderia ter feito tanta coisa. tanta coisa. tanta coisa. Eu até poderia ter escrito esse texto melhor, mais poético, mais enigmático ou visceral. Eu poderia ter insistido. Eu poderia ter resistido. Eu deveria. Mas o meu futuro não está na minha capacidade de fazer ou não fazer algo. O meu futuro não está na minha capacidade de decidir algo. Eu decidi render o meu futuro para alguém que tem melhor planos. Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.Jeremias 29:11. Minha história não é escrita por mim, eu sou o personagem de uma história maior do que o meu umbigo. Meu futuro se ancora nas palavras dessa história. Minha vida cumpri e ressalta as palavras desse livro. Ele fez toda as criaturas, não fora as criaturas que o fizeram. Do zero, ele fez toda a humanidade e tornou a terra habitável, com tempo e espaço para viver a vida de forma que pudêssemos busca-lo, e não apenas procura as cegas mas, acha-lo de fato. Atos 17: 26-27 Nada do que eu faça pode mudar esse fato. Eu nunca irei deixar de ser criação de Deus. Ele nunca será inacessível para mim. nunca. Ele não precisa de mim, ele me quer. Ele não quer me corrigir, ele quer me amar, me mostra quem eu sou. Eu poderia ser melhor. Eu poderia ser outra pessoa. Eu poderia estar fazendo um zilhão de coisas. Mas Deus me quer assim, quebrada, aqui, exatamente como eu estou. Minha jornada nunca será a mesma que de outra pessoa. E ela envolve está aqui, apenas descobrindo quem eu sou, um passo depois do outro. E descobrir quem eu sou, envolve descobrir que quem eu sou independe do que eu faço, do quão bem eu faço ou do quanto eu faço. O fato é o que eu faço nunca será o suficiente, na verdade Ele não está procurando por suficiência, por um ser perfeito, ele está procurando por mim, por você. E quem eu sou está nas palavras dele.

Escrito em bilhões de céus
Falando com este meu coração
Tudo o que sou, toda a criação
Nos seguramos nas palavras que já foram ditas
Que nunca serão abaladas
Me agarrando na vida de suas promessas
Me apegando a cada palavra que você disse


7.6.15

Eu sou única

Não, isso não é uma canção da Stefanie absoluta. Mas sim uma das realizações que tive aqui na Austrália. Se você é um ser pensante provavelmente você já viu a absoluta Natalie Portman no filme Black Swan. E você deve saber que o mundo da dança não é tão angelical como parece. Na verdade é um dos meios mais competitivos dentro da area de entretenimento. Sendo assim é de se esperar que em um curso de dança haja comparações.
É mentalmente impossível não se comparar as outras dançarinas. Até porque existe um nível de técnica esperado e você sempre olha para aquele coleguinha referência em determinado movimento. O ruim disso é porque as vezes você acaba se tolhendo por insegurança.
O fato é que todos nós temos um "tcham", algo diferente de todos. Todos nós temos. Quando você se tolhe, deixa de criar, você deixa de fazer tchamtcham pelo mundo. O mundo perde. Você perde. Porque quando nos no aceitamos e saimos tchamtcham pelo mundo, nos aprendemos, somos aprimorados.
Existem vários motivos pelo qual você não deve se comparar aos outros. Seus caminhos são diferentes. Sua história é diferente. Seu futuro é diferente. Ou seja. Você é diferente. E quando você fala que o seu diferente não é bom o bastante. Você está dizendo que o que Deus criou não é o bastante.
 Entenda, nós não somos um plano aleatório. Deus nos criou dessa forma. Na verdade ele passou um tempão planejando cada esquisitice da nossa personalidade. O que eu descobri é que meu jeito de dançar é único. Pode não ser como a Miss Fouettes ou a Sra. Freestyle, mas é um jeito único, dramático como só eu sei ser, de coração e alma. E eu não vou esconder isso. O mundo vai ter que lidar com a minha uniquez e eu vou abraçar esse presente que Deus me deu com todas as minhas forças.

19.5.15

Como se fosse aniversário

Meu mundo esses dias tem sido uma constante de elogios. Veja bem, eu gosto de elogios, de vez em quando, "que roupa legal", "arrazou", "muito bom". Mais do que isso...um alarme dentro de mim começa apitar, portas se fecham, procedimento de segurança máximo contra falsidade. Tem algo errado. Qual o porquê de tantos elogios? 'Que que tu quer' 'Quando a esmola é muita o santo desconfia'. Foi assim que me senti nos primeiros mêses de College, sirene surtando todos os dias. Sabe aquela mensagem que você faz inventa de coração ou as vezes não tão de coração no aniversário das pessoas? Esse é um dos diálogos mais comuns aqui na Hillsong. Deram até um nome para essa estranheza toda: encorajamento.

Encourajar uns aos outros é uma parada escrita na bíblia e que deveriamos tentar de vez em quando. Não aquele elogio fácil, na ponta da língua, pré-formatado para todos os seus amigos. Encorajamento implica observar, se interessar pelo outro a ponto de descobrir algo positivo.

Veja bem, não se engane, eu consigo distinguir um elogio falso de um genuino. E depois de muitos muitos e muitos elogios genuínos eu aprendi a conviver com isso. Daí meu amigo, perdi a linha, o bicho também me mordeu e comecei a observar as pessoas para achar coisas das quais eu gosto. No inicio parece muito dificil - especialmente para brasileiro que tem o olho treinado para soltar uma "critica construtiva" ou nem tanto    mas a verdade é que a qualidade está ali, a gente até consegue ver porém se concentra muito nos pontos negativo. É uma questão de mudar a sua perspectiva de "eu tenho meio copo vazio" para "eu tenho meio copo cheio"

No final das contas você ganha muito mais do que oferece, porque você passa a ter os olhos mais aguçados para tudo o que há de bom nessa vida. E felizmente, as coisas boas são maioria. Encorajamento não precisa ser necessariamente um elogio, pode ser também o que você "acredita" para a vida daquela pessoa. O que você vê, o potencial que você enxerga. Não tenha medo de falar porque em geral as pessoas tem uma dificuldade imensa em descobrir o próprio potencial, talvez você seja aquela forcinha que falta para uma extraordinária pessoa se descobrir. Aliás, andei notando, você tá de Parabéns esses dias!

28.4.15

A igreja é um lugar seguro

Após três meses de Austrália e Hillsong College consegui vencer toda a apatia e preguiça falta de disposição em escrever. E ao iniciar o texto percebo que o destinatário/interlocutor é ninguém além de mim mesma. Todos os conceitos que serão expostos partem de uma concepção particular do mundo em geral. Esse texto se iniciou com um título, antes de estrutura-lo me veio uma ideia, dentre todas as outras que veem bombardeando minha mente nos últimos tempos, a ideia de que a igreja é um lugar seguro ou "the church is a safety place".
A igreja nem sempre foi um lugar seguro para mim. Sempre foi a régua na minha vida, traçando linhas, limites, objetivos. Sempre enxerguei a igreja como o lugar onde as minhas falhas seriam expostas em um holoforte, eu me sentiria culpada, e de alguma forma mágica essa mancha desaparecia da minha vida. A imagem que eu tinha de Deus, no entanto, sempre se contrapôs a ekklesia dos bons cristãos.
Um lugar seguro é aquele lugar que eu posso chegar e jogar minha mochila em um canto, meu tênis e meias em outro. É o lugar onde meu jogo é aberto. Não tem mimimi. Sem linguagem diplomática. É onde eu exerço todo o meu potencial critico, minhas pesadas piadas de humor negro, é onde minhas palavras não significam nada além do que eu quero dizer. No meu lugar seguro não existe casca de ovo. E a frase "Vamos ser verdadeiro" é uma constante. A minha casa é meu lugar seguro.  Eu não troco minha personalidade, não troco as minhas roupas pra entrar na minha casa.
 Há um negócio na história de Jesus, que se você deixar passar, você perde toda a verdade daquela episódio chamado Cruz: liberdade. Deus sabia todos os pecados que eu/você cometeria e mesmo assim deu seu filho para morrer por nós. Deus o seu criador, te conhece, ele sabe onde o seu disco sempre é arranhado. Ele não se importa com a bagunça na qual nos encontramos hoje, ele tem um plano para nossas vidas muito maior que esse erro. Na verdade ele não vai perder muito tempo te culpando, ou fazendo você refletir num cantinho sobre isso.
Ele vai segurar a sua mão e te ajudar a ir adiante. Você não precisa parar, sentar e digerir o porque ou o quanto você esteve/está errado. Você tem que seguir em frente. A revelação de liberdade na minha vida foi a melhor coisa que eu vou levar da Hillsong. Venha como você está. Eu não troco de roupas pra entrar na minha casa. Bem vindo a casa, bem vindo a sua casa, a minha casa é um lugar de liberdade, logo, a igreja também deve ser um.

6.11.13

oi! ah, você de novo.

como uma viagem no tempo, eu volto a revisitar todas as minhas tristezas e angustias escondidas. eu solto a expiração de quem vem guardando a muito tempo, emoções que não voltam mais. aquelas que caem como raio e alteram sua frequência cardiaca, um segundo a mais, outro a menos. existem outras, dores companheiras, que ficarão sempre ao nosso lado, suaves como crianças, para nos fazer lembrar das lições que um dia aprendemos. como o cansaço de uma fatídica quarta feira, enrolada em um dia rotineiro, no qual você avalia todas as suas possibilidades e vê que elas não passaram disso. faceiras, precárias, otimistas possibilidades. o dia que você relembra que existem milhares de pessoas mais especiais que você. então você olha para aquela criança chorosa dentro de você e pensa: "baby, every little thing is gonna be alright". ela sorri um sorriso tímido, e olha pro céu esperançosa, procurando fadas, são jorges, anjos e a terra do nunca, aonde nunca é tarde demais.

20.5.13

rehab: para mim, só meu, eu, sem pesos ou gramatica correta, quase uma canção indie

era uma vez uma donzela que vivia em um reino encantado, onde tudo o que a atormentava eram as duvidas e uma palavra conhecida como talvez, o veneno. ela fez uma suplica pequena e entrecortada, um sopro, um suspiro de um virgem coração: don't let me down. pensou que talvez lá longe haveria um lugar para ser. então,pela primeira vez quebrou seu santuário encantado, fugiu dos vales, das flores, do sol, fugiu dos livros, das sátiras, dos ideais, do strawberry fields.  largou suas palavras a meio texto, seus sentimentos a meia fala, pulou sem cordas, sem motivo, apenas por querer pular. mas nada aconteceu, não virou noticia, se que foi notada. voltou pra casa. não reconheceu o caminho, nem o quarto, nem a cama. passou a noite acordada hibernando os dias, anestesiada do mundo. sem ontem ou amanha, só o hoje,falso,estático, pobre. quando vai ser verdadeiro? quando deixará de ser essa tentativa esganiçada de realidade? os olhos se abrirão?  As estações continuavam as mesmas, as duvidas continuavam as mesmas, a essência nunca muda, Heráclito seu burro. as bandas mudam, as folhas amarelam, o glamour vira cafona, o cafona vira cool, a donzela vira lagarta e depois borboleta. só para ter as asas esmagadas mais uma vez e de novo. até que o novo venha e ela não precise mais de asas pra voar. qual o sentido voar de novo, já que tudo é céu, e depois só tem mais azul, mais nuvem, mais céu. não há nada de novo abaixo do sol.

23.11.12

Um livro me roubou

Nasceu uma lágrima na minha garganta, pequena, invisível, mas me impedia de deglutir, inchando minha língua, meus lábios. Explorando minha respiração em ritmo profundo cada vez mais forte e dilacerante. Finalmente! Desceu minha epiglote, alcançou meu coração e parou por ali, pensou... “que lugar aconchegante”, e ficou por lá, batendo, batendo, batendo, e começou a doer. Dorzinha de alma, que coisa boba, lágrima não tem alma. Mesmo assim rasgava cada vez mais fundo. Não queria mais batimentos, nem ritmo, decidiu. Existir já consumia toda sua energia então desceu para o estômago. Coitada, só para encontrar mais sofrimento. Agora era um dor entorpecente de falta, se espalhando na superfície, na carne, no osso. Fome. Mas que besteira, onde já se viu lágrima passar fome como um judeu embaixo de um porão. Desistiu de tanta sofreguidão, correu para os pés, para correr ainda mais, para longe, para perto, como fugir? Para onde? Por quê? Quem culpar? As palavras... “Então é a boca”. Sim, voltemos à famigerada. Vingança! Mas a boca ardia mais que o estomago, a dor aumentava nas mandíbulas sem uso. E tinha aqueles soluços, aqueles acompanhados de outras lágrimas que nascem nos olhos, que ditavam o ritmo das pontadas no coração e salgavam a língua. Não é a boca! Enfim. Sim! Posso ver A Resposta... Posso? São as palavras. Ditas. Ditas? Talvez. Imaginadas, sentidas... Medo. M-E-D-O. Bicho. Homem-bicho. Bicho papão. Bicho Superior Sem Medo. Morte. Morta de dó. Dói? Segundo ela “é rápido, só o tempo de colorir o céu. Existem coisas que doem mais”... Ah, sim! A menina. O frio. Boom. Só frio. Trem. Saukerl. Boom. Acordeão. O Vigiador. Boom. Sirene. Boom. Boom. Boom. “Papai...” Céu pálido. Nuvens de fogo. Os seres humanos me assombram, disse a Morte. Não, disse a lágrima, o que eles fazem me assombram. Não, disse eu, os livros me assombram.

3.5.12

falta farta

o meu copo está metade vazio. valerá a falta por um todo? os sorrisos que não dei apagarão o resto da historia? os amigos que não fiz suplantarão as velhas arvores que irrigam minhas raízes? as noites de sono são perdidas? os amores platônicos e os de verão são passado, presente ou futuro? aonde se esconde as possibilidades? seria elas meu bicho papo, a espreita, embaixo da cama, rangendo em meus sonhos, enchendo meus pesadelos, arrastando correntes durante o dia. o que fazer com a falta, que entra na casa sem pedir licença, come dos meus manjares e deixa as portas abertas. parte de mim é vida e a outra anda boemia com minha imaginação e meu desasosego, caminhando pelos becos rindo das minhas regras, trocando as pernas e chorando igual criança pelo que nunca foi. a falta me move como um trem a vapor. sempre ali, parte de mim mesma, sombra do meu sucesso, mal entendida. o que seria dos mártires sem a falta, sem o nó na garganta, sem o brilho de acreditar no que talvez - e quase sempre - nunca chegará a ser. o que seria da outra metade do copo, o que seria de uma alma farta, o que seria do tempo sem descanso, o que seria de mim sendo inteira... o que seria da sede?

8.4.12

O cacho perdido

Querida Senhora,
Desculpe-me por não trazer flores. Mas ainda sinto o seu cheiro no travesseiro. Hoje de manhã acordei pensando no seu pescoço, mas especificamente no cacho que pende da sua nuca. A toalha branca não tinha a marca do seu delineador. E as roupas não estavam no chão, os livros não estavam na cadeira. Lembrei da sua voz rouca dizendo que as manhas são frias por isso nao existem finais felizes matinais. Hoje não me levantei. Não tinha a senhora para ocupar a maior parte da cama. Fiquei lá deitadão com a minha preguiça e a minha solidão. Faz 3 anos que quebrei o copo de whisky barato, 1095 dias que te mandei pro inferno, 157 semanas que você me bateu e 24 horas que você morreu. São 10 horas da manhã o sol está triste, o mar está agitado. E as milhares de cartas que a senhora me pediu fazem uma bola de papel na minha garganta cortando o som, atrapalhando o ar. Hoje depois de chorar eu levantei e escrevi uma carta. Uma história de um cara que não estragou tudo. Um final feliz matinal. Sei que a senhora não vai lê-la mas eu não gosto de flores. Flores morrem, palavras não.

"

6.2.12

 a vida engana meus caminhos. mistura minhas texturas. relativiza meu tato. nada é certo ou palpável. lambuza-me de gosto amargos, secos, tontos, sabão, isopor, ácido e de vez em quando gotas de mel. e como criança penso que posso tudo, sou o rei do castelo de sonhos.
e ela ri quando ve todos evaporarem. do meu pânico. ri da minha confusao. da minha indecisão frente ao desejo e o destino. da minha falta de jeito. da minha ignorancia. das minhas pernas frouxas por caminhos mais faceis. da minha mente trouxa que segue trilhas ja exploradas. do meu choro debaixo da mesa por medo. do meu medo embaixo da alma por causa do 'nunca mais'. minha astronauta morreu de preguiça. minha bailarina de desilusao. minha revolucionaria de silencio. minha modelo em um pote de sorvete.
e ela ri ora facil, ora falso. ecoando pelas entranhas toda dor de nao poder escolher. como um carrasco que cumpre o seu dever. ve o lixo da vida e nada pode fazer. ve os amores desfeitos. a distancia dos amigos perfeitos. a sequencia de erros humanos desbaratar os mais belos finais felizes. certa de que todos a culpam. certa de que seu respirar confunde os mortais. seus passos turvam as aguas. mas ela não decide.
entao nos sentamos na beira do caminho, na beira do abismo, apáticos e amargurados. ela sem decisao e eu sem decidir.

9.1.12

essa porta estreita desfia os fios da minha roupa, desfaz os nos da mais hábil costura. toda a fantasia milimetricamente ajustada para mim é arrancada, esfolando minha pele. eu seguro os farrapos, tento me cobrir, cato-os do chão, mas as paredes arranham meus quadris e ombros. minha carne viva arde, e eu posso sentir a superfície áspera das paredes, embora não consiga vê-las. elas me decompõe, não há pensamento que resista essa dor. começo a correr, porque a sensação da carne se desmanchando, impregnando as paredes de sangue, traz um frescor, uma paz, como se todo sofrimento do mundo acabasse, a liberdade dos loucos.  me despeço do meu rosto, dos músculos torneados, das veias rotas, deixando de existir. não há mais bons modos, sorrisos ou sarcasmo. não há mais status, dinheiro ou empatia. meus desejos foram arrancados com pedaços de pele. todas as fantasias se foram. não ouço, não vejo, sinto tudo como pela primeira e ultima vez.  só resta alma. só resta quem sou.

Mas a Porta da Vida é pequena e a estrada é estreita, e só uns poucos a encontram

11.10.11

meus pesames

 minhas palavras nao farão diferença.
sentimentos são                                      estrelas escondidas no céu.
mas sempre vou estar aqui.
olhando para o firmamento,
                                                     esperando para te segurar.
                                                       meus ombros de Atlas,
sempre estarão disponíveis.
daqui, tentando desvendar os sinais, os mistérios, as estrelas.
 lembrando que elas também se vão, um dia qualquer.
e quando faltar palavras, aquelas covardes,
                                                                                                       sempre fogem.
 minhas mãos permancerão estendidas,
 tentando mostrar que o fim nunca é o final.
que estavamos errados.
o tempo nao é uma linha.
                                      é um vento,                  é o eterno brincando                                  
                                                        uma onda,                                   de vida.


para uma amiga cheia de dor.

24.9.11

Voluntário 35

A luz branca trgava o lugar criando um clima fantasmagórico. O silêncio era tão palpável quanto a ictericia das peles. Ouvia-se os susurros, os chinelos, várias vozes reunidas ali por uma mesma causa: toda a superioridade humana reduzida a notas de dinheiro. Viva o progresso da ciência diria Comte, o Positivista. Viva a liberdade de disposição do corpo diria Smith, o Liberal. A alienação do humano diria Marx, o Socialista. Mas todos nós um dia nos vendemos. Ele precisava acreditar isso. Todas as mentes brilhantes ou não um dia se prestaram a algum tipo de humilhação humana. Aquele bicho é o homem. Bandeira ecoava por todos as paredes da minha mente.
Até então não pensará naquilo. Mas os lençois brancos, as macas hospitalares, a luz anemica, as roupas alvas e padronizadas tornava impossivel expelir aquela verdade. Estava regorgitando as desculpas sempre simples, sinceras e capitalistas. Eram tantas quanto os sonhos, tantas quanto as ampolas de plásticas na sua cabeceira que no outro dia estariam cheias de sangue.
Abandonou seu leito e partiu pelo corredor, portas e macas, granitos e placas. Andou até nada, nada que tirasse seu sentimento de rebanho, nada que o acordasse daquele transe.
O que sobrou do homem perfectivel e sua louvavel capacidade de se superar? Ou seria ele apenas outro rato tentando não cair da rodinha da vida?
Passos contados de volta a enfermaria, ele perguntou-se quantos ainda faltavam para chegar. Até onde ele iria. E para onde realmente estava indo. Sorriu para seu reflexo no espelho. Cobaia ou não, ele repetia as mesmas perguntas que a humanidade se fez religiosamente durante séculos. Escreveu no canto do seu livro, o único pedaço de vida naqueles corredores mórbidos, seu novo mantra: A estabilidade é o fundo do poço. Então tentou imaginar se a frase a faria pensar que tinha sido uma boa decisão. No dia seguinte o galo cantaria e o seu sangue seria analisado, o remédio desceria pela garganta atestando o inicio do estudo.
Lembrou-se de todos os livros que lera, de todos os persongaens que fizeram coisas más pelos seus sonhos e dos que morreram sem fazer nada. Toda essa cama de gato ambulante, cheia de linhas morais tênues e frágeis o assustava, o sufocava. De alguma forma tudo estava muito errado. Sonhos não deveriam ser comprados, fazer o que se gosta deveria ser suficiente, o amor deveria ser tudo o que precisamos. Pessoas nao deviam se vender por notas de dinheiro. Mas ele só queria seguir adiante no meio do caos.

18.9.11

brasiliano, graças a Deus.

As vezes me sinto um lusitano a espera de milagres.Um sebastiano orando baixinho e suspirando a altares. Outras, como um mouro procurando uma jugular, declarando guerra santa a procura de acertar. Pego-me igual a um nativo, admirando a natureza e o estrangeiro, a lavar alma e corpo, a me enganar por bobos atras de dinheiro. Sou levado para fora de mim, como um negro fora de casa, escravo sem sentido separado pela raça. Dançando pra lua, gingando pro sol, lutando contra mordaça. Porém, no final sou apenas um brasileiro, fazendo graça pela via crucis, desbundando a vida infeliz, brindando e celebrando minha raiz.


"Ah! abre a cortina do passado, tira a mãe preta do cerrado, bota o rei congo no congado.Brasil! Pra mim!." Aquarela do Brasil

1.8.11

Coisas incriveis acontecem com você? Hoje fui tomada de assalto por delirios. Provavelmente fruto de uma noite conturbada. Seria a única explicação plausivel já que a outra me levaria a um manicômio ou a um...Oh meu Deus, custa-me admitir...otimismo. Acordei e assim quando pisei o chão, senti um frio na espinha que instantaneamente ativou todas as minhas células, trazendo uma estranha vontade de viver. Assim que olhei no espelho ele me cumprimentou com um olhar mal humorado de quem foi interrompido. Então quando sai de casa os sons me invadiram como se eu destampasse uma caixa. E pouco a pouco fui me acostumando com cada um, o carro apressado, o vento apressado, a vida apressada. O ar tinha cheiro inconfundivel de café saindo de todas as casas, como chaminés, lembrando que teria um dia inteirinho a descobrir. Estiquei meus braços e uma estranha sensação de lego ambulante acompanhou o desencaixe do meu corpo. O sol atingiu minha pele como se quisesse fazer parte dela, igualzinho ao abraço de um amigo querido a muito distante. A vida impregnou minhas narinas, e meus passos se aplicaram um a um ao chão plano e deram olá a rotina. Assim, passo a passo, voltei ao confortável modus operandi. Penso repetidas vezes, como isso tudo é possível? Vejam só que disparate, o sol meu amigo? Um reflexo com emoções? E um cheiro conselheiro? Com certeza esse velho português tem enganado essa vista perfeita. Toda essa prosopéia sensitiva são coisas anormais. Onde já se viu o dia ser tão agradável e caloroso, e logo pela manhã!

"Hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado, de bater na porta do vizinho. E desejar bom dia, de beijar o português da padaria." Zeca Baleiro - Telegrama

5.7.11

quem não gosta de samba bom sujeito não é

ah meu bom moço, gosto de uma viola com gosto,
do cantar da minha terra, da fala caipira e singela.
meus gemidos são puro rock'n roll, ah e como torço
pelo bis do grito das guitarras na minha cidadela.

jah sabe que meus pensamentos são positivos
mensagens de paz tiradas de um bom reggae
e o desafinado popular brasileiro sempre segue
a trilha que quebra meus cacos antes contidos.

mas na ponta da língua só tem lugar pra percurssão,
vinda de um compasso que sequestra minha aflição,
perdida em uma frenesia montada por pas de bourrée
que fluem do meu gingado e me fazem querer morrer.

morrer se parar de tocar, forçando meu pobre pé
a pisar direito no chão seco e azedo da realidade.
meu nego, de novo recito o verso com vontade:
quem não gosta de samba bom sujeito não é!