28.4.15

A igreja é um lugar seguro

Após três meses de Austrália e Hillsong College consegui vencer toda a apatia e preguiça falta de disposição em escrever. E ao iniciar o texto percebo que o destinatário/interlocutor é ninguém além de mim mesma. Todos os conceitos que serão expostos partem de uma concepção particular do mundo em geral. Esse texto se iniciou com um título, antes de estrutura-lo me veio uma ideia, dentre todas as outras que veem bombardeando minha mente nos últimos tempos, a ideia de que a igreja é um lugar seguro ou "the church is a safety place".
A igreja nem sempre foi um lugar seguro para mim. Sempre foi a régua na minha vida, traçando linhas, limites, objetivos. Sempre enxerguei a igreja como o lugar onde as minhas falhas seriam expostas em um holoforte, eu me sentiria culpada, e de alguma forma mágica essa mancha desaparecia da minha vida. A imagem que eu tinha de Deus, no entanto, sempre se contrapôs a ekklesia dos bons cristãos.
Um lugar seguro é aquele lugar que eu posso chegar e jogar minha mochila em um canto, meu tênis e meias em outro. É o lugar onde meu jogo é aberto. Não tem mimimi. Sem linguagem diplomática. É onde eu exerço todo o meu potencial critico, minhas pesadas piadas de humor negro, é onde minhas palavras não significam nada além do que eu quero dizer. No meu lugar seguro não existe casca de ovo. E a frase "Vamos ser verdadeiro" é uma constante. A minha casa é meu lugar seguro.  Eu não troco minha personalidade, não troco as minhas roupas pra entrar na minha casa.
 Há um negócio na história de Jesus, que se você deixar passar, você perde toda a verdade daquela episódio chamado Cruz: liberdade. Deus sabia todos os pecados que eu/você cometeria e mesmo assim deu seu filho para morrer por nós. Deus o seu criador, te conhece, ele sabe onde o seu disco sempre é arranhado. Ele não se importa com a bagunça na qual nos encontramos hoje, ele tem um plano para nossas vidas muito maior que esse erro. Na verdade ele não vai perder muito tempo te culpando, ou fazendo você refletir num cantinho sobre isso.
Ele vai segurar a sua mão e te ajudar a ir adiante. Você não precisa parar, sentar e digerir o porque ou o quanto você esteve/está errado. Você tem que seguir em frente. A revelação de liberdade na minha vida foi a melhor coisa que eu vou levar da Hillsong. Venha como você está. Eu não troco de roupas pra entrar na minha casa. Bem vindo a casa, bem vindo a sua casa, a minha casa é um lugar de liberdade, logo, a igreja também deve ser um.

6.11.13

oi! ah, você de novo.

como uma viagem no tempo, eu volto a revisitar todas as minhas tristezas e angustias escondidas. eu solto a expiração de quem vem guardando a muito tempo, emoções que não voltam mais. aquelas que caem como raio e alteram sua frequência cardiaca, um segundo a mais, outro a menos. existem outras, dores companheiras, que ficarão sempre ao nosso lado, suaves como crianças, para nos fazer lembrar das lições que um dia aprendemos. como o cansaço de uma fatídica quarta feira, enrolada em um dia rotineiro, no qual você avalia todas as suas possibilidades e vê que elas não passaram disso. faceiras, precárias, otimistas possibilidades. o dia que você relembra que existem milhares de pessoas mais especiais que você. então você olha para aquela criança chorosa dentro de você e pensa: "baby, every little thing is gonna be alright". ela sorri um sorriso tímido, e olha pro céu esperançosa, procurando fadas, são jorges, anjos e a terra do nunca, aonde nunca é tarde demais.

20.5.13

rehab: para mim, só meu, eu, sem pesos ou gramatica correta, quase uma canção indie

era uma vez uma donzela que vivia em um reino encantado, onde tudo o que a atormentava eram as duvidas e uma palavra conhecida como talvez, o veneno. ela fez uma suplica pequena e entrecortada, um sopro, um suspiro de um virgem coração: don't let me down. pensou que talvez lá longe haveria um lugar para ser. então,pela primeira vez quebrou seu santuário encantado, fugiu dos vales, das flores, do sol, fugiu dos livros, das sátiras, dos ideais, do strawberry fields.  largou suas palavras a meio texto, seus sentimentos a meia fala, pulou sem cordas, sem motivo, apenas por querer pular. mas nada aconteceu, não virou noticia, se que foi notada. voltou pra casa. não reconheceu o caminho, nem o quarto, nem a cama. passou a noite acordada hibernando os dias, anestesiada do mundo. sem ontem ou amanha, só o hoje,falso,estático, pobre. quando vai ser verdadeiro? quando deixará de ser essa tentativa esganiçada de realidade? os olhos se abrirão?  As estações continuavam as mesmas, as duvidas continuavam as mesmas, a essência nunca muda, Heráclito seu burro. as bandas mudam, as folhas amarelam, o glamour vira cafona, o cafona vira cool, a donzela vira lagarta e depois borboleta. só para ter as asas esmagadas mais uma vez e de novo. até que o novo venha e ela não precise mais de asas pra voar. qual o sentido voar de novo, já que tudo é céu, e depois só tem mais azul, mais nuvem, mais céu. não há nada de novo abaixo do sol.

23.11.12

Um livro me roubou

Nasceu uma lágrima na minha garganta, pequena, invisível, mas me impedia de deglutir, inchando minha língua, meus lábios. Explorando minha respiração em ritmo profundo cada vez mais forte e dilacerante. Finalmente! Desceu minha epiglote, alcançou meu coração e parou por ali, pensou... “que lugar aconchegante”, e ficou por lá, batendo, batendo, batendo, e começou a doer. Dorzinha de alma, que coisa boba, lágrima não tem alma. Mesmo assim rasgava cada vez mais fundo. Não queria mais batimentos, nem ritmo, decidiu. Existir já consumia toda sua energia então desceu para o estômago. Coitada, só para encontrar mais sofrimento. Agora era um dor entorpecente de falta, se espalhando na superfície, na carne, no osso. Fome. Mas que besteira, onde já se viu lágrima passar fome como um judeu embaixo de um porão. Desistiu de tanta sofreguidão, correu para os pés, para correr ainda mais, para longe, para perto, como fugir? Para onde? Por quê? Quem culpar? As palavras... “Então é a boca”. Sim, voltemos à famigerada. Vingança! Mas a boca ardia mais que o estomago, a dor aumentava nas mandíbulas sem uso. E tinha aqueles soluços, aqueles acompanhados de outras lágrimas que nascem nos olhos, que ditavam o ritmo das pontadas no coração e salgavam a língua. Não é a boca! Enfim. Sim! Posso ver A Resposta... Posso? São as palavras. Ditas. Ditas? Talvez. Imaginadas, sentidas... Medo. M-E-D-O. Bicho. Homem-bicho. Bicho papão. Bicho Superior Sem Medo. Morte. Morta de dó. Dói? Segundo ela “é rápido, só o tempo de colorir o céu. Existem coisas que doem mais”... Ah, sim! A menina. O frio. Boom. Só frio. Trem. Saukerl. Boom. Acordeão. O Vigiador. Boom. Sirene. Boom. Boom. Boom. “Papai...” Céu pálido. Nuvens de fogo. Os seres humanos me assombram, disse a Morte. Não, disse a lágrima, o que eles fazem me assombram. Não, disse eu, os livros me assombram.

3.5.12

falta farta

o meu copo está metade vazio. valerá a falta por um todo? os sorrisos que não dei apagarão o resto da historia? os amigos que não fiz suplantarão as velhas arvores que irrigam minhas raízes? as noites de sono são perdidas? os amores platônicos e os de verão são passado, presente ou futuro? aonde se esconde as possibilidades? seria elas meu bicho papo, a espreita, embaixo da cama, rangendo em meus sonhos, enchendo meus pesadelos, arrastando correntes durante o dia. o que fazer com a falta, que entra na casa sem pedir licença, come dos meus manjares e deixa as portas abertas. parte de mim é vida e a outra anda boemia com minha imaginação e meu desasosego, caminhando pelos becos rindo das minhas regras, trocando as pernas e chorando igual criança pelo que nunca foi. a falta me move como um trem a vapor. sempre ali, parte de mim mesma, sombra do meu sucesso, mal entendida. o que seria dos mártires sem a falta, sem o nó na garganta, sem o brilho de acreditar no que talvez - e quase sempre - nunca chegará a ser. o que seria da outra metade do copo, o que seria de uma alma farta, o que seria do tempo sem descanso, o que seria de mim sendo inteira... o que seria da sede?